Papo sério: Fiz laqueadura tubária sem ter filhos

  E aí gente, tudo bem?! :))))))
O papo de hoje é bem diferente do que costumo abordar aqui no blog, mas como também é do interesse de muitas mulheres, venho dividir com vocês, tudo o que aconteceu em relação a minha tão sonhada Laqueadura Tubária, feita no último dia 13 de janeiro de 2018.

  É muito normal ver as pessoas arregalarem os olhos quando ficam sabendo de mulheres que querem fazer laqueadura, sem ter tido filhos. As pessoas não costumam aceitar e respeitar uma decisão como essa. Muitos médicos, inclusive se recusam a fazer o procedimento, mesmo cientes de que é direito de toda mulher que tenha mais de 25 anos e/ou 2 filhos ou mais, garantido pela Lei 9.263 de 1996.

O que diz a lei:

De acordo com a referida Lei, somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações:

I – em homens ou mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce;

II – risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório e assinado por dois médicos (BRASIL, 1996).
A legislação federal impõe, como condição para a realização da esterilização cirúrgica, o registro da expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes.

A legislação federal estabelece, ainda, que em vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges.

Além do exposto acima, a legislação federal não permite a esterilização cirúrgica feminina durante os períodos de parto ou aborto ou até o 42º dia do pós-parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores (BRASIL, 1996). Essa restrição visa à redução da incidência de cesárea para procedimento de laqueadura, levando-se em consideração que o parto cesariano, sem indicação clínica, constitui-se em risco inaceitável à saúde da mulher e do recém-nascido. Além disso, esses momentos são marcados por fragilidade emocional, em que a angústia de uma eventual gravidez não programada pode influir na decisão da mulher. Ademais, há sempre o risco de que uma patologia fetal, não detectada no momento do parto, possa trazer arrependimento posterior à decisão tomada.

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Presidência da República
Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos


  Não estou aqui para influenciar ninguém com a minha iniciativa, mas tenho certeza que, assim como eu, existem muitas mulheres com o mesmo projeto de vida e não fazem ideia do que fazer, como fazer e por onde começar. Acho que um pontapé inicial é, sem sombra de dúvida, ESTAR MUITO CERTA DO QUE VOCÊ REALMENTE QUER. Eu tenho 36 anos e desde os 7, sabia que não seria mãe.
  Ter filhos e não ter filhos é uma decisão de extrema importância na vida de uma mulher. Sim, de uma mulher e não de um casal. Um casal, pode anular o projeto de ser um casal, mas a relação entre mãe e filho é eterna e quando uma mulher opta por fazer uma laqueadura, esse projeto se rompe definitivamente. Conheço alguns casos de mulheres com 2 ou até 3 filhos que fizeram laqueadura e se arrependeram, pois não conseguem conviver com o "vazio" de uma casa sem crianças. Outras, terminaram o relacionamento antigo, recomeçaram a vida com um novo parceiro que deseja ser pai e impõe essa responsabilidade à mulher, como uma condição para a relação continuar. Na minha opinião, estar bem consigo mesmo (a), sem depender de encher a casa de gente pra ser feliz é a melhor opção de vida, mas essa é só a minha opinião.
  Optei por trabalhar, estudar, ter liberdade, privacidade e flexibilidade no meu dia-a-dia de um modo geral. Isso me faz feliz e completa. Eu e meu marido, temos uma excelente convivência, adoramos a companhia um do outro, nos cuidamos, passeamos, relaxamos, realizamos projetos, viajamos, nos apoiamos, curtimos a calmaria de uma vida a dois, sem stress e com muita satisfação. Pra mim, isso é ter plenitude e felicidade. PRA MIM. Muita gente não vai concordar, obviamente, mas eu compreendo perfeitamente, que é muito normal, 3 fatores influenciarem a vida das pessoas: Mídia, Religião e Sociedade.

A Mídia, sempre quer explorar a imagem do ser humano bem sucedido, romantizando e glamourizando a maternidade: Casal heterosexual, com um casal de filhos, carro novo, casa própria e todos felizes e em harmonia. As pessoas olham aquilo como algo que elas desejam ter e as mesmas não analisam se podem assumir essa responsabilidade com a dedicação de tempo, condições psicológicas, paciência e custos que ela necessita.

A Religião, de um modo geral, prega que construir uma família é um privilégio que o ser humano deve usufruir sem limites e que a cada membro novo que chega (denominado "benção") será a semente do amanhã, que irá virar um ser humano do bem e que terá compaixão de apoiar, abrigar e cuidar dos pais quando envelhecerem, como forma de retribuição por uma vida inteira de dedicação e investimento de tempo e dinheiro.

A Sociedade, já é um misto dos dois fatores acima, acrescido da ideia de que todo mundo tem que plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho (ou mais). Que não existe família se o casal não quer ou não consegue ter filhos, e que isso a faz uma pessoa fracassada, amarga, mal sucedida e digna de exclusão, pois não está nos padrões impostos para uma vida em sociedade.

Outro fator que também está presente na questão religiosa, é que "Ser mãe é um sonho de toda mulher" ou que "Toda mulher, nasceu para ser mãe" e isso é uma baita mentira! Eu não me enquadro em nenhum desses termos. Além de NUNCA ter sonhado com a maternidade, tenho certeza que não nasci pra isso por várias razões:
  • Não tenho paciência e nem vontade de cuidar de crianças/jovens. Acho que isso é uma vocação que nasce com a pessoa e vejo também, muitas mulheres que são mães que também não tem vocação, mas querem ter filhos assim mesmo. Pra mim é o mesmo que um mal profissional, aqueles que trabalham sem amor ao que fazem e que desempenham mal suas tarefas por inaptidão;
  • Acho chato levar crianças aos lugares. Jantar com amigos, bater papo entre casais, ir ao cinema, ao teatro ou ao shopping fazer compras, viram coisas impossíveis de fazer com prazer;
  • A intimidade e a privacidade entre o casal fica comprometida e muitas vezes violada;
  • A paz e a ordem do lar, terminam para sempre, pois uma vez que existe alguém que nos exige responsabilidade e cuidados constantes, paramos de dar atenção as coisas que sempre importaram, como por exemplo, o próprio bem estar e prazer em relaxar, assistir ao programa de TV favorito ou descansar nos momentos de folga, para organizar a bagunça e ficar o tempo todo policiando a criança, chamando atenção, etc...e tal;
  • Quando viram adolescentes então?! Aí lascou tudo. A paciência tem que ser redobrada. A sua idade já avançou e você não tem mais saúde pra ficar se stressando, dormindo de madrugada esperando seu filho chegar, preocupado com o que ele está fazendo e por onde e com quem está andando. Isso independe da educação que você vai oferecer, pois cada um tem uma personalidade e caráter.
Na verdade, eu expus meu ponto de vista e longe de mim querer criar polêmica. É apenas uma opinião pessoal, que me fez inclusive, tomar a atitude de fazer a Laqueadura por Laparotomia, que é aquela que abre a barriga, como uma cesariana.

  Vou dar um exemplo que tiro da minha vida. Aniversário de crianças. Tenho algumas amigas que ficam ansiosas quando vão ao aniversário do filho de outra amiga. Elas não vêem a hora de ter um filho também, para poder fazer uma festa, ou para poder levar o filho na festa do coleguinha, para se socializar com as demais crianças. Algumas mulheres ficam tristes e acabam nem comparecendo ao evento, para não ficarem desenturmadas, já que não terão assuntos em comum com as mães que também estarão na festa. Se frustram por não pertencerem a esse grupo e ficam tristes por fracassarem no projeto de engravidar logo, ou pelo marido não querer naquele momento, ou até mesmo por não terem um marido.

Minhas únicas preocupações numa festa de criança são:
  • Se o presente que eu comprei vai agradar e está apropriado para a idade (já que não entendo nada de crianças);
  • Se vai ter cachorro quente, algodão doce, maçã do amor, bolo e docinhos;
  • Se vou reencontrar meus amigos e familiares para bater papo;
  • Se a criança vai curtir a festa, brincando bastante com tudo o que os pais pagaram para estar ali;
  • Se a família, de fato, está comemorando a alegria de mais um ano completado e não apenas fazendo uma festinha pro filho porque todo mundo faz e pega mal não fazer para o dele.
  As pessoas tem uma certa dificuldade em não fazerem parte de um grupo, chamado TODO MUNDO. Esse grupo, desde a infância, NUNCA foi interessante para mim. Eu sempre tive mania de pensar de mais em tudo, e uma das coisas que essa mania me ensinou, foi a QUESTIONAR.

Um ser humano que passa por essa vida sem questionar certos comportamentos, certas atitudes, certos desejos, crenças e sonhos, certamente, não está aproveitando muito bem a vida.

  Cuidar da própria vida, essa deveria ser a meta das pessoas. Não tem aquele ditado que você precisa primeiro se amar para depois poder amar alguém?! Por que esse mesmo ditado não vale para estimular as pessoas a primeiro se cuidarem, se estabilizarem e estarem bem para assim então, pensarem em construir uma família?! Pois bem.

Antes de querer ter uma vida montada nos padrões que a sociedade impõe, que tal pensar na sua estrutura psicológica e material antes?

Assista ao vídeo onde conto os detalhes:

  
Há muitos anos atrás, li o livro, Sem Filhos - 40 razões para você não ter - e reforçou absurdamente a minha decisão de não ser mãe. O livro é incrível e a autora retrata de uma maneira muito realista, o que é, de fato, ter filho. Recomendo a leitura para quem está indecisa sobre qual caminho escolher, pois o livro aborda a maternidade em uma perspectiva muito realista. Eu diria que é o avesso do que as aparências mostram. Vale lembrar, que a autora já tinha 2 filhos quando lançou o livro.
  O livro é escrito pela Psicanalista e Economista francesa Corinne Maier, que já havia causado polêmica na França em 2004 quando lançou Bom dia Preguiça, no qual ensinava como manter o emprego trabalhando o menos possível.

“Franceses, enfim a verdade: as crianças são o inferno. Quarenta razões para não ter filhos são ainda bem pouco. Em nosso país, líder em natalidade na Europa, só há uma única solução: a contracepção”, escreve a autora em seu site internet para explicar seu novo livro.

Segundo Maier, 43 anos e mãe de dois adolescentes, de 13 e 11 anos, “quanto mais a natalidade aumenta, menos as pessoas dizem que são felizes”.

Corinne utiliza frases pesadas para defender suas idéias, como, por exemplo, “você vai carregar seu filho durante décadas. Um verdadeiro fardo do qual será difícil ficar livre. Um conselho: se for para alimentar um parasita, prefira um gigolô.”

Maier afirma que o fato dela mesma ter tido filhos permite que ela tenha a independência necessária para falar sobre o assunto. “Se eu não tivesse filhos, achariam que sou uma velha amarga”.

Para o jornal Le Figaro, No Kids é um “ensaio provocador”. O jornal escreve que a ironia da autora “ajuda a expor de forma divertida idéias sem grande originalidade, como seu discurso sobre a idolatria dos filhos e os malefícios da educação contemporânea”.

CORINNE MAIER
Corinne Maier

Apelidada de "heroína da contracultura" pelo The New York Times por seu livro Bom-dia preguiça, a sempre polêmica Corinne Maier é autora de livros fortemente inspirados pela filosofia francesa, sem deixar de lado uma veia humorística para criticar a sociedade contemporânea.

Vale muito a pena a leitura!

Seja Livre para levar a vida que escolheu. Não se culpe.

  Seja qual for sua escolha, não se culpe. Eu mesma, quando era mais jovem, me questionava por não sentir a mesma vontade de ser mãe que as outras mulheres tem. Me sentia horrível quando não sentia nada ao ver bebês mamando,gestantes em ensaios fotográficos românticos, vitrines de lojas infantis, pais levando os filhos na escola pela primeira vez ou qualquer coisa ligada a maternidade. Temos que compreender nossa essência, aceitar nossas vocações e levarmos a vida que nos seja agradável, pois não temos que nos sentir obrigadas a agradar a sociedade que só faz cobrar de nós uma realidade hipócrita que ela construiu e quer que as pessoas sustentem.

  Quando eu resolvi fazer a laqueadura, sabia que iria ficar afastada do trabalho por pelo menos, duas semanas. Pensei antes e comentei até com o Marcelo: Não vou falar com as pessoas do trabalho que vou fazer laqueadura. Vou dizer apenas que terei que me ausentar pois vou fazer uma cirurgia ginecológica. Não quero ser alvo de comentários preconceituosos ou julgamentos pela minha escolha. Logo depois pensei: Logo eu, não vou falar a verdade?! Quer saber? Falei a verdade, pronto. Por que omitir? Sou tão bem resolvida quanto a minha vida..não preciso da aprovação de ninguém. A aprovação mais importante e difícil que eu tinha era a do médico, que depois de 10 anos cuidando de mim, concordou em fazer minha laqueadura com a mesma segurança da minha decisão.
Domingo, 9:10 da manhã. A cara de satisfação mesmo depois de ter sofrido com os efeitos da anestesia, um dia após a cirurgia e prestes a receber alta médica.
  Minha cirurgia foi um sucesso, hoje fazem 10 dias e foi minha consulta de revisão. O médico me deu os parabéns pela minha recuperação, viu como está a cicatrização, retirou os dois pontinhos externos que já estava na hora de serem removidos e pronto. Atestado de 15 dias e 2 meses sem atividades físicas por enquanto. Depois, vida normal. Já tenho mais facilidade em levantar e deitar na cama, mas ainda estou de repouso, sem fazer atividades domésticas como varrer, passar pano no chão, lavar louça, cozinhar, abaixar...mas hoje já vou preparar um almoço rápido. Meu marido está sendo um amorzão, braço direito e super companheiro. Minha mãe veio pra minha casa na primeira semana e foi fundamental também, pois cozinhou e manteve a casa em ordem. Cuidados de mãe são sempre os melhores pra nos ajudar na recuperação.

  Estou me sentindo leve, com uma sensação de liberdade, sem a insegurança de engravidar que eu tinha, mesmo tomando rigorosamente o anticoncepcional. O médico me explicou que a técnica utilizada, é do corte da trompa e não há como recanalizar, portanto, gravidez aqui é quase impossível. Digo quase, porque ainda tem a opção da inseminação e mesmo assim ainda é difícil ter sucesso, então sabendo disso, posso relaxar e curtir a vida.

  Essa foi a minha experiência. Espero que tenha esclarecido as dúvidas de quem queria saber mais sobre o assunto Laqueadura Tubária Sem Filhos. Se restou alguma dúvida, comente.

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